VALDICIR STUANI
Fui alfabetizado aos 8
anos de idade, em uma escola que foi construída na roça onde eu morava, depois
de muita luta dos camponeses. Tinha uma sala só, ou melhor era um salão. Éramos
147 alunos nos dois períodos, com uma professora apenas.
Até hoje tenho vivo em
minhas lembranças o primeiro texto que eu li após três meses de aula, que tinha
como título "O avô de Davi", que contava a história de um avô
mostrando o seu sítio para o neto, e o que mais chamou a atenção do menino foi a
organização das formigas saúvas. Por eu ter sido o primeiro a ler o texto todo,
recebi como prêmio um livro de fábulas que passei a noite toda lendo. Depois
disso, sempre gostei muito de ler.
Já
a minha experiência com a escrita foi um tanto traumática, pois sempre tive
facilidade em falar, memorizar conteúdos, e por isso, o escrever não era tão
fácil, mas aos poucos fui superando essa dificuldade e depois de três anos de
escola, recebi o primeiro parabéns por uma produção de texto, que podia ser
lida, pois tinha letra legível e poucos erros de ortografia.
VALERIA APARECIDA NOGUEIRA
A minha experiência com a leitura iniciou brincando de ser professora,
na realidade imitando meus pais, pois pertenço a uma família de professores,
portanto, o hábito de leitura em casa, durante toda minha vida, foi muito
comum. As histórias infantis (contos de fadas) foram os primeiros livros e
contava para minhas bonecas, assim foi durante a minha infância.
Entrei na escola muito cedo, o que é muito comum na vida dos filhos de
professores. Recordo-me que fui alfabetizada pela professora
Elizabethe "Bethe" na escola "Marques Figueira" com a
cartilha “Caminho Suave".
Já no Ensino Fundamental (antigo Ginásio) eu gostava de ir à biblioteca
da escola. Lá sempre estava a dona Geni, pronta para nos atender. As lombadas
dos livros me diziam pouco de tudo o que eles guardavam. Eu ia, então, à
descoberta. Era uma enormidade de dados, uma quantidade imensurável que estaria
para sempre inalcançável à minha curiosidade.
Assim, visitando as estantes de uma sala grande e quadrada com algumas
janelas também grandes, várias estantes, alguns livros bem velhinhos, mas tudo
bem prazeroso. O que mais marcou nessa época é que eu e uma amiga decidimos ler
a coleção "Vagalume" inteirinha, assim os livros e a leitura foram
tornando-se frequentes em minha adolescência e é assim até hoje.
Experiências de leitura são assim, uma maravilha. Elas podem ligar
épocas, sentimentos. São como parcerias que marcam momentos inestimáveis, que
podem ser reacendidos sem aviso prévio a qualquer momento. São presenças vivas
para a graça e manutenção da vida. E até hoje a leitura faz parte da minha
vida, não importa qual o tipo de leitura, livro, revista, textos, jornal,
continuo lendo.
CLEUSA IONE OSAKO
Participamos,
há alguns anos, de uma experiência na UE em que o coordenador pedagógico propôs
aos professores de Português que, nas ATPs, passassem experiências de leitura e
escrita de textos variados e maneiras diversificadas de trabalhar
pedagogicamente com esses textos. Foi uma experiência agradável e proveitosa,
pois os professores de outras áreas demonstraram grande interesse e passaram a
trabalhar textos com seus educandos. O resultado foi positivo e os
alunos apresentaram crescimento gradual na apresentação e argumentação de
suas produções, inclusive ganhando concursos e bolsas em Universidades..
Devemos
estar atentos a propor leituras agradáveis e verificarmos se a mesma está
fluindo de acordo com a turma com a qual estamos trabalhando, mas como
educadores não podemos perder a noção de que tudo que é proposto em sala de
aula tem um objetivo a ser alcançado.
VERA LUCIA HALAX AMARO
A minha experiência com a
leitura vem do antigo Ginásio onde tínhamos que ler os romances da Literatura
Brasileira, e depois fazer o resumo do que havia lido, foi assim que o mundo
mágico da leitura foi despertado em mim. Após vieram as fotonovelas que eram
publicadas em revistas, lembro-me que devorava as páginas, com as histórias de
amor. Quanto aos livros, o que mais marcou a minha adolescência foi “Amor de
Perdição” de “Camilo Castelo Branco”, li-o em poucas horas, devorei suas
páginas, louca para ver o desfecho. Casei-me e tive duas filhas, despertei nas
mesmas o hábito pela leitura, lia as histórias e elas ficavam quietinhas
ouvindo, tornaram-se assíduas leitoras hoje, por esse motivo acho que os bons
leitores se fazem desde pequenos, nunca as obriguei.
O livro mais recente que li
foi “O menino do pijama listrado”, levou-me às lágrimas. Também aprecio muito
os romances espíritas, principalmente os da Zíbia Gaspareto. Como disse Mário
Quintana “Dupla delícia: o livro traz a vantagem da gente estar só e ao mesmo
tempo acompanhado”, é um mundo mágico, fascinante. Sabemos que através da
leitura desenvolvemos a criatividade, a imaginação e também adquirimos cultura,
é um hábito poderoso que nos faz conhecer mundos e ideias. Hoje, trabalho na
Sala de Leitura e procuro
ao máximo incentivar os alunos a lerem, porque sei
sua real importância.
WIGLÂNGELA DE SOUZA QUEIROS SILVA
Dizemos que na vida tudo é
lido. Lemos o dia, o sol, a chuva, a alegria e a tristeza das pessoas, o terno azul, o vestido estampado, os olhos verdes onde
tudo isso leva a pensar e se relacionar com o mundo. Comigo foi um ato de grande ironia, venho de uma família muito tradicional, minha mãe vivia para o lar
e o cuidar dos filhos, nunca fora a escola, logo escrever ou
ler era-lhe um mundo inexistente. Mas ao mesmo tempo, despertava-lhe grande curiosidade, no entanto, vivia cantarolando pela
casa entre um afazer e outro do dia-a-dia. Eu, ainda criança, observava aquela cena, sem entender o que
levava mamãe a outro mundo. Um mundo somente dela, onde ela própria
era a personagem principal. Então passei a escrever cartas, algumas
agradecendo-lhe por tudo que fizera a mim e a meus irmãos, outras a respeito de datas comemorativas . Tudo isso despertou em mim um
grande desejo de letrar-me, não por simplesmente saber, pelo contrário, e sim, levar alternativas, caminhos onde pudesse ajudar minha mãe ou alguém a
entender o grande mundo mágico em que o riso, a lágrima, a árvore, o canto dos pássaros,
tudo isso existe de fato. Hoje,
ao observar meus alunos, descubro tamanha importância em fazer parte dessa roda onde o leitor-guia torna-se uma peça importante e fundamental na construção desse mundo.