Objetivo

Blog criado por Professores da Rede Pública Estadual de Ensino de São Paulo em Curso à distância "Melhor Gestão, Melhor Ensino", para o Aperfeiçoamento de sua Prática Pedagógica utilizando as Novas Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDICs).

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Depoimentos


Fonte: acesso em 05/06/2013





VALDICIR STUANI


Fui alfabetizado aos 8 anos de idade, em uma escola que foi construída na roça onde eu morava, depois de muita luta dos camponeses. Tinha uma sala só, ou melhor era um salão. Éramos 147 alunos nos dois períodos, com uma professora apenas.
Até hoje tenho vivo em minhas lembranças o primeiro texto que eu li após três meses de aula, que tinha como título "O avô de Davi", que contava a história de um avô mostrando o seu sítio para o neto, e o que mais chamou a atenção do menino foi a organização das formigas saúvas. Por eu ter sido o primeiro a ler o texto todo, recebi como prêmio um livro de fábulas que passei a noite toda lendo. Depois disso, sempre gostei muito de ler.

Já a minha experiência com a escrita foi um tanto traumática, pois sempre tive facilidade em falar, memorizar conteúdos, e por isso, o escrever não era tão fácil, mas aos poucos fui superando essa dificuldade e depois de três anos de escola, recebi o primeiro parabéns por uma produção de texto, que podia ser lida, pois tinha letra legível e poucos erros de ortografia. 



VALERIA APARECIDA NOGUEIRA 

A minha experiência com a leitura iniciou brincando de ser professora, na realidade imitando meus pais, pois pertenço a uma família de professores, portanto, o hábito de leitura em casa, durante toda minha vida, foi muito comum. As histórias infantis (contos de fadas) foram os primeiros livros e contava para minhas bonecas, assim foi durante a minha infância.
Entrei na escola muito cedo, o que é muito comum na vida dos filhos de professores. Recordo-me que fui alfabetizada pela professora Elizabethe "Bethe" na escola "Marques Figueira" com a cartilha “Caminho Suave".
Já no Ensino Fundamental (antigo Ginásio) eu gostava de ir à biblioteca da escola. Lá sempre estava a dona Geni, pronta para nos atender. As lombadas dos livros me diziam pouco de tudo o que eles guardavam. Eu ia, então, à descoberta. Era uma enormidade de dados, uma quantidade imensurável que estaria para sempre inalcançável à minha curiosidade.
Assim, visitando as estantes de uma sala grande e quadrada com algumas janelas também grandes, várias estantes, alguns livros bem velhinhos, mas tudo bem prazeroso. O que mais marcou nessa época é que eu e uma amiga decidimos ler a coleção "Vagalume" inteirinha, assim os livros e a leitura foram tornando-se frequentes em minha adolescência e é assim até hoje.
Experiências de leitura são assim, uma maravilha. Elas podem ligar épocas, sentimentos. São como parcerias que marcam momentos inestimáveis, que podem ser reacendidos sem aviso prévio a qualquer momento. São presenças vivas para a graça e manutenção da vida. E até hoje a leitura faz parte da minha vida, não importa qual o tipo de leitura, livro, revista, textos, jornal, continuo lendo.




CLEUSA IONE OSAKO

Participamos, há alguns anos, de uma experiência na UE em que o coordenador pedagógico propôs aos professores de Português que, nas ATPs, passassem experiências de leitura e escrita de textos variados e maneiras diversificadas  de trabalhar pedagogicamente com esses textos. Foi uma experiência agradável e proveitosa, pois os professores de outras áreas demonstraram grande interesse e passaram a trabalhar textos com seus educandos. O resultado foi positivo e os alunos apresentaram crescimento gradual na apresentação e argumentação de suas produções, inclusive ganhando concursos e bolsas em Universidades..


Devemos estar atentos a propor leituras agradáveis e verificarmos se a mesma está fluindo de acordo com a turma com a qual estamos trabalhando, mas como educadores não podemos perder a noção de que tudo que é proposto em sala de aula tem um objetivo a ser alcançado.




VERA LUCIA HALAX AMARO 

A minha experiência com a leitura vem do antigo Ginásio onde tínhamos que ler os romances da Literatura Brasileira, e depois fazer o resumo do que havia lido, foi assim que o mundo mágico da leitura foi despertado em mim. Após vieram as fotonovelas que eram publicadas em revistas, lembro-me que devorava as páginas, com as histórias de amor. Quanto aos livros, o que mais marcou a minha adolescência foi “Amor de Perdição” de “Camilo Castelo Branco”, li-o em poucas horas, devorei suas páginas, louca para ver o desfecho. Casei-me e tive duas filhas, despertei nas mesmas o hábito pela leitura, lia as histórias e elas ficavam quietinhas ouvindo, tornaram-se assíduas leitoras hoje, por esse motivo acho que os bons leitores se fazem desde pequenos, nunca as obriguei.
O livro mais recente que li foi “O menino do pijama listrado”, levou-me às lágrimas. Também aprecio muito os romances espíritas, principalmente os da Zíbia Gaspareto. Como disse Mário Quintana “Dupla delícia: o livro traz a vantagem da gente estar só e ao mesmo tempo acompanhado”, é um mundo mágico, fascinante. Sabemos que através da leitura desenvolvemos a criatividade, a imaginação e também adquirimos cultura, é um hábito poderoso que nos faz conhecer mundos e ideias. Hoje, trabalho na Sala de Leitura e procuro 
ao máximo incentivar os alunos a lerem, porque sei sua real importância.




WIGLÂNGELA DE SOUZA QUEIROS SILVA


Dizemos que na vida tudo é lido. Lemos o dia, o sol, a chuva, a alegria e a tristeza das pessoas, o terno azul, o vestido estampado, os olhos verdes onde tudo isso leva a pensar e se relacionar com o mundo. Comigo foi  um ato de grande ironia, venho de uma família muito tradicional, minha mãe vivia para o lar e o cuidar dos filhos, nunca fora  a escola, logo escrever ou ler  era-lhe um mundo inexistente. Mas ao mesmo tempo,  despertava-lhe grande curiosidade, no entanto, vivia cantarolando pela casa entre um  afazer e outro do  dia-a-dia.  Eu, ainda criança, observava aquela  cena, sem entender  o que levava  mamãe  a outro mundo. Um mundo somente  dela, onde  ela própria era  a  personagem  principal. Então passei a escrever cartas, algumas agradecendo-lhe por tudo que fizera a mim e a meus irmãos, outras a respeito de datas comemorativas . Tudo isso despertou em mim  um grande desejo de letrar-me,  não por simplesmente saber, pelo contrário, e sim, levar alternativas, caminhos onde pudesse ajudar minha mãe ou alguém a  entender  o grande mundo  mágico  em que  o riso, a  lágrima, a árvore, o canto dos pássaros,  tudo isso existe de fato. Hoje,  ao observar meus alunos, descubrtamanha importância  em fazer parte dessa roda onde o leitor-guia torna-se uma peça importante e fundamental na construção desse mundo.





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